Memória Fotográfica

Urbanismo e Arquitetura



 
 

Praça Vigário Antonio Joaquim, 1945

Praça Vigário Antonio Joaquim, 1940

Se a Torre Eiffel tem sido um dos ícones parisienses mais fotografados daquela cidade, em Mossoró, a Praça Vigário Antonio Joaquim foi um dos espaços preferidos pelas lentes dos fotógrafos locais, em especial, o Sr. Manuelito Pereira (1910-1980). Esta foto, assim como esta anteriormente postada, foi feita do mesmo ângulo, com a diferença, que nesta, o fotógrafo priorizou a vista áerea, à direita, da praça.

Destacam-se as seguintes edificações na foto: 1) primeiro plano, do início da R. 30 de Setembro, o casarão do meio de dois pavimentos, onde funcionava o Studio Fotográfico de Manuelito Pereira, e a Sociedade Beneficiente União dos Artistas, fundada em 14/09/1919. Ao lado direito, após a estreita passsagem, tipo um beco, uma casa comercial intitulada Casa das Tintas. Na parte posterior, vê-se a torre da empresa de energia elétrica, Comensa, e por fim, na extrema direita, ao fundo, são vistos, parcialmente, um pequeno trecho do rio Mossoró e sobre ele, a Ponte Jerônimo Rosado, inaugurada em 1944. Na rua paralela à praça, pelo lado direito, no sentido oeste/leste, a chamada Rua do Triunfo, destacam-se parte do palacete de Delfino Freire e a Casa Episcopal, que depois passou a ser a sede da Rádio Rural, inaugurada em 1963, cujo imóvel foi doado à Diocese pelo Cel. Miguel Faustino do Monte.

Esta fotografia começa a apresentar uma cidade com novas características estéticas, a arborização, cuja explicação fui encontrar neste excelente artigo de Tomislav R. Femenick, sobre a administração municipal do Padre Mota, o JK Potiguar, que a seguir transcrevo pequeno trecho do artigo:

"Entre 1936 e 1940 Padre Mota mandou plantar 1.000 árvores; de 1941 a 1945, mais 500. Todas as mudas que não cresciam por qualquer motivo, eram substituídas por novas. Sempre havia 1.500 pés de “Fícus Benjamim” em Mossoró. Sua grande copa de folha verde escuro amenizava o calor irradiado do sol, que a cidade recebe constantemente. As ruas, já pavimentadas, com uma ou várias camadas de argila e pedra, já não permitiam que o vento nordeste levantasse a poeira do chão e desse uma cor de cinza às fachadas das residências e casas comerciais. A cidade ficou mais acolhedora e humana. Mesmo nos períodos de secas, o verde da fronde dos fícus permanecia e se destacava do imenso pardavasco em que a região se transformava. Segundo Cascudo, o “Padre Mestre venceu a poeira empedrando as vias [públicas]. Só não venceu o calor, mas plantou pés de fícus para cobrir de sombra doce a face candente das ruas”.

Apenas não compreendo um detalhe: para um administrador que tanto fêz pela cidade, porque somente existe uma pequena rua que leva o seu nome? Talvez, a resposta seja simples, nós, brasileiros, parece que gostamos de "honrar" aqueles que não merecem: os corruptos.

 

Citarmos as fontes é dar credibilidade ao que escrevemos, Télescope. Fontes de referência: BRITO, Raimundo Soares de. Ruas e Patronos de Mossoró (Dicionário), Vols I e II, Coleção O Mossoroense, Fundação Vingt-un Rosado, setembro de 2003;  CASCUDO, Luís da Câmara. Notas e Documentos para a História de Mossoró, Coleção O Mossoroense, Fundação Vingt-un Rosado, 4a. Edição, maio de 2001; COSTA, Josafá Inácio da. Memorial do Seminário de Mossoró-RN, Edição DSLM, 2004; Fotografias de Manuelito Pereira (1910-1980);  Fonte dos arquivos fotográficos P&B



Escrito por Copyright@Télescope às 19h44
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Praça Vigário Antonio Joaquim, 1937 (II)

Pça. Vig. Antonio Joaquim, 1937

Uma imagem desta praça, feita sob um ângulo muito atrativo, que é provável que o seu fotógrafo, Sr. Manuelito Pereira (1910-1980),  para capturá-la aplicando a alta perspectiva,  tenha recorrido ao estratagema de posicionar-se em uma das janelas superiores, da face frontal, voltada para o leste,  da Catedral de Santa Luzia, em Mossoró-RN. Informações sobre o patrono desta praça, podem ser consultadas nesta postagem anterior.

Com relação à data de captura, considero que deva ser a mesma desta outra foto, pois, os Ficus Benjamins ainda não tinham sido plantados em torno da praça, e, tomando por base os ângulos formados pelas sombras das edificações, a foto deva ter sido realizada em torno das 15:00 horas, provavelmente durante os meses de maio a agosto.

O fotógrafo, ao eleger este ponto-de-vista, não imaginou que estaria deixando para posteridade a imagem do casario colonial mossoroense, ainda existente, no prolongamento da Rua 30 de Setembro que ladeia, a leste, esta praça. Em linhas gerais, é uma bela panorâmica que mostra muitos detalhes, começando por uma visão parcial do centro da praça, e depois, à direita, no segundo plano, o edíficio dos Correios e Télegrafos, no lado oposto, à esquerda, em destaque a silhueta leve e bem iluminada da Igreja do Sagrado Coração de Jesus, é como se ela, em relação ao casario ao seu redor, fosse um objeto etéreo, elevando-se sobre demais. Ao lado esquerdo, paralelo à praça, é visualizada parte da fachada principal do Ginásio Diocesano Santa Luzia que correspondeu, em tempos idos, à Rua do Cotovelo.

É uma fotografia significativa, pois, é a primeira vez que vejo esta Igreja retratada de forma mais próxima ao fotógrafo, é como se ele, realmente, tivesse entendido que esta edificação, inquestionavelmente, fazia parte da paisagem urbana. As demais fotos sobre esta igreja, ela se apresenta o mais distante possível, onde apenas a sua torre é visível ao observador, como podemos verificar na foto da Pça. Rafael Fernandes, e nesta outra da Av. Cunha da Mota.

Os dados históricos desta igreja são: em 10 de outubro de 1907, foi inaugurada a Capela do Sagrado Coração de Jesus, situada na Praça da Ipueira, palavra de origem tupi que significa charco que se forma em lugares baixos, devido a enchentes dos rios. Em 1905, esta praça passa a denominar-se de Praça do Coração de Jesus.

A capela foi construída pelo comerciante e industrial local, na época, um dos homens mais ricos do RN, o Coronel Miguel Faustino do Monte, e em cumprimento a uma promessa, foi pelo mesmo doada à Diocese local. Em 23/07/1926 foi criada a Paróquia do Sagrado Coração de Jesus e inaugurada em 01 de agosto do mesmo ano.  O Coronel Miguel Faustino do Monte, (1858-10/11/1952), natural de Sobral-CE e desde cedo radicado em Mossoró-RN, foi ardoroso abolicionista de 1883, e também, grande doador de várias edificações para o patrimônio da Diocese de Santa Luzia, inclusive, em imóvel de propriedade Miguel Faustino, foi instalada a primeira loja maçônica mossoroense.

Inclusive, corria uma lenda na cidade e adjacências, sobre as origens da grande fortuna de Miguel Faustino do Monte. Quando criança, cheguei a ouvir esta estória contada por minha mãe, que por sua vez havia sido contada para ela por minhas avós. Uma estória, cujo teor me faz lembrar das estórias da literatura de cordel ou dos contos medievais, cheios de mistérios e fantasias, e que realmente, apenas vejo como crendices populares, das quais o nosso folclore está repleto. A lenda era contada desta forma:

"Era uma vez, um jovem rapaz, muito pobre que chegou à cidade de Mossoró em busca de trabalho. O jovem havia jurado para si mesmo que não mais seria pobre, então, decidiu fazer um acordo com o demônio, se este o tornasse rico, como pagamento, lhe entregaria a sua alma. O pacto foi feito, e todos os caminhos começaram, rapidamente, a se abrirem para o jovem pobre, e em pouco tempo, entre 20 a 30 anos, tornou-se um dos homens mais opulentos da região. E, estando a sua vida sócio-econômico-financeira consolidada, o dito cujo, aquele que não devemos dizer o nome, o cobrador, começou a lhe aparecer, em qualquer hora e lugar,  lembrando-lhe que chegara o momento de pagar a promessa. Segundo contavam, que o devedor só tinha sossego quando estava dentro da casa de Deus ou de embarcações e navios, que conforme crenças populares, no mar, por ser sagrado, o diabo não podia chegar perto. O devedor procurou ajuda espiritual, e em sonho, foi orientado a construir uma igreja para o Sagrado Coração de Jesus, e também, que, doasse parte dos seus bens a Deus, somente assim ele poderia ter paz."

Resumindo a ópera, historicamente, está comprovada a edificação do templo e a doação dos bens à diocese local pelo Cel. Miguel Faustino, contudo, não creio nesta fantasiosa lenda, apenas, visualizo que, secularmente, o ser humano quando não entende a razão lógica dos fatos, ele sempre teve por hábito inventar explicações mirabolantes para justificar a ocorrência dos mesmos. Penso que deva ter sido uma estória inventada por algum preguiçoso. 

Porém, um fato é absolutamente certo, o Sr. Miguel Faustino do Monte, sem sombra de dúvidas deve ter sido uma pessoa refinada e de bom gosto,  isto pode ser comprovado pelos estilos arquitetônicos das edificações por ele realizadas, como a própria Igreja do Coração de Jesus, o famoso Catete Mossoroense, localizado na Pça. Bento Praxedes, a casa onde funciona a Rádio Rural, localizada nesta praça e que era a Residência Episcopal quando da chegada de D. Jaime Câmara a Mossoró em 26/04/1936, e, o Palacete Episcopal, da Vila Justa. E estas edificações, para sorte da memória histórica, ainda se mantêm com as suas características originais.

Fontes: BRITO, Raimundo Soares de. Ruas e Patronos de Mossoró (Dicionário), Vols I e II, Coleção O Mossoroense, Fundação Vingt-un Rosado, setembro de 2003;  CASCUDO, Luís da Câmara. Notas e Documentos para a História de Mossoró, Coleção O Mossoroense, Fundação Vingt-un Rosado, 4a. Edição, maio de 2001; COSTA, Josafá Inácio da. Memorial do Seminário de Mossoró-RN, Edição DSLM, 2004; Fotografias de Manuelito Pereira (1910-1980);  Fonte dos arquivos fotográficos P&B



Escrito por Copyright@Télescope às 19h24
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Rua Santos Dumont, 1950-Mossoró, RN.

Desculpem o transtorno. Arquivo transferido para o endereço: http://blogdetelescope.blogspot.com.br/2013/02/rua-santos-dumont-mossoro-rn.html.

 

 



Escrito por Copyright@Télescope às 18h22
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Beco das Frutas, 1945. Mossoró-RN

 

Desculpem o transtorno. O arquivo foi transferido para o blog: http://blogdetelescope.blogspot.com.br/2013/02/rua-do-riachuelo-mossoro-rn_17.html

 



Escrito por Copyright@Télescope às 20h20
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Rua Coronel Gurgel, Mossoró-RN

Rua Cel Gurgel, 1949

A Rua Coronel Gurgel, uma das principais artérias do centro da cidade, localizada no distrito 601, ladeia a Praça Rodolfo Fernandes, na parte oeste, tem início entre a Av. Augusto Severo a Rua Santos Dumont, e termina na Rua  Almirante Barroso. Contudo, pelo mapa Google, que muitas vezes apresenta certas incoerências, esta artéria termina na Rua Cel Fausto.

As fotos 01 e 02 mostram  a Cel. Gurgel em épocas distintas: a primeira foto,  de 1949,   apresenta a rua no sentido sul/norte, e a segunda, de 1955, sentido norte/sul.

As fotografias de autoria de Manuelito Pereira (1910-1980), que documentou esta cidade por quase meio século, e que dizia: a fotografia são os olhos da memória.

Rua da Boa Vista era a sua denominação original até 1883, e a partir desta data, passou a ter como patrono o Coronel Francisco Gurgel de Oliveira, (07/09/1848-07/01/1910), Coronel da Guarda Nacional, natural de Caraúbas-RN, mas radicado em Mossoró desde muito cedo, teve carreira política local com destaque na cidade, foi abolicionista e participou ativamente da campanha emancipadora de 1883, e exerceu dois mandatos de Deputado Federal.

Rua Cel Gurgel, 1955

Esta é uma das poucas ruas da cidade que ainda mantém a denominação de 1883, as demais foram sofrendo tantas alterações toponímicas que se perderam na memória da cidade.

Nesta segunda foto, no lado direito, a terceira edificação no sentido norte/sul, é o Cine Teatro Pax. Nesta postagem anterior, pode-se ter uma visão desta rua em 1937.

Citarmos as fontes é respeitar quem pesquisou e dar credibilidade ao que escrevemos. Teléscope.

Fontes: BRITO, Raimundo Soares de.Ruas e Patronos de Mossoró (Dicionário), Vols I e II, Coleção O Mossoroense, Fundação Vingt-un Rosado, setembro de 2003;  CASCUDO, Luís da Câmara. Notas e Documentos para a História de Mossoró, Coleção O Mossoroense, Fundação Vingt-un Rosado, 4a. Edição, maio de 2001; Fonte dos arquivos fotográficos P&B.



Escrito por Copyright@Télescope às 19h05
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